Seu navegador não suporta ou está com o JavaScript desabilitado, por conta disso, podem ocorrer falhas nesse site.

#EntreMasters: bate-papo sobre o mercado de panificação com Kenji Hiroita Filho

O pão é um dos alimentos mais tradicionais de todo o mundo. Consumido nos mais variados formatos, receitas e sabores, esse alimento está presente em diversas mesas dos brasileiros.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), o mercado de pães cresceu 2,65% em 2019, chegando a um faturamento de R$ 95,08 bilhões. O consumo médio/mês de pão francês no país também aumentou 6,97% em 2019, chegando ao número de 704,72 toneladas.

Para falar mais sobre este mercado, Mariane Pinhal, Gerente de Marketing da MasterSense, convida Kenji Hiroita Filho, Gerente de Inovação da MasterSense, para um bate-papo #EntreMasters. Confira a seguir!

Mariane Pinhal: Você pode nos contar sobre a sua história com o mercado de panificação?

Kenji Hiroita Filho: Primeiramente quero agradecer por poder, nessa data tão importante, compartilhar um pouco de minha experiência de mais de 20 anos dedicados ao segmento e com passagem em grandes empresas.

Nesse tempo busquei me especializar atuando em diversas áreas como: planejamento e controle de produção, liderança industrial, apoio em desenvolvimento de layouts produtivos e elaboração de POP´s (Processos Operacionais de Produção), desenvolvimento de produtos e indicação de soluções, além de prover treinamento técnico/comercial para os profissionais dessa área na América do Sul.

Atualmente na MasterSense, além da gestão de nossa excelente equipe técnica, me dedico e atuo nessa arte milenar com muito amor, respeito, seriedade, confiança e transparência, em apoio às indústrias do setor (Moagem de Trigo, Panificação Industrial, Panificação Congelada e Centrais de Produção) que buscam excelência em seus processos e o reconhecimento de seus produtos pelo consumidor final.

Mariane Pinhal: Quais profissionais te inspiraram no início da carreira? E hoje em dia?

Kenji Hiroita Filho: Meu início de carreira foi baseado sempre no preceito da busca do conhecimento técnico e de gestão, e algumas pessoas foram com certeza, fonte de inspiração para minha jornada.

Minha família, que sempre me apoiou em minhas tomadas de decisão e ajudou nos momentos mais importantes. Meu padrinho de casamento, Edgard Sergio Teixeira, Professor e Coordenador do Curso de Administração no Centro Universitário de São Roque, que teve também uma carreira brilhante na gestão e direção de uma grande empresa do ramo de Construção Civil.

Meu amigo Angelo Kawakami, Engenheiro de Alimentos e Especialista em Panificação que me inspirou na paixão pela arte de panificar. Minha amiga Satico Ono, excelente profissional de RH, que me inspirou na forma e tratativa com respeito às pessoas. Meu amigo Shin Yonamine, profissional da Indústria de Alimentos que me inspirou a ter discernimento e saber escolher a forma de atuar em liderança.

Minha amiga Heloísa Fujihara, Engenheira de Alimentos e Especialista de Panificação, que atuou como minha mentora no meu desenvolvimento e conhecimento técnico no ramo. Meu amigo Paulo Mitsunaga, Especialista de Aplicação, como eu, e que compartilhou comigo muito de seus conhecimentos. Meu amigo Eduardo Pimentel, Engenheiro Químico e Especialista no segmento, que me apoiou muito quando foi meu gestor e que também me inspirou na minha forma de fazer gestão.

Em minha carreira de mais de 30 anos, passei por diversos segmentos e posso dizer que tenho inúmeras pessoas que são fonte de inspiração para mim e não poderia listar todas aqui. Sobre minha inspiração atual, posso dizer que é o dia a dia da relação e a interação entre pessoas, através dos stakeholders (clientes, investidores, funcionários, fornecedores, concorrentes e proprietários) e que ao final tudo se resume nessa troca enriquecedora de experiências e aprendizados gerados. Na MasterSense, só posso ser grato, pois sigo aprendendo a ressignificar, reinventar e inovar a cada dia.

Mariane Pinhal: Quais os maiores aprendizados ao longo de seu trabalho na área da panificação?

Kenji Hiroita Filho: A de que temos muito a aprender todos os dias e de que a inovação não para, seja através do estudo de interações de uso de matérias-primas ou estarmos antenados sobre novos equipamentos e processos produtivos. O profissional de panificação e de alimentos, em geral, precisa estar antenado a essas constantes mudanças, tendências e tecnologias. 

Mariane Pinhal: Qual #ficaadica você daria para os profissionais que estão no início da carreira? 

Kenji Hiroita Filho: Seja questionador sempre, esgote a busca por conhecimento com o profissional que você tem como referência sobre determinado tema e quando seus questionamentos a ele se esgotarem, busque o complemento dessas questões em literatura e com outras experiências. Isso o ajudará a construir o melhor profissional que há em você.

Mariane Pinhal: Quais principais mudanças você tem visto no mercado de panificação nos últimos anos?

Kenji Hiroita Filho: Podemos resumir às ações da busca pela entrega da diferenciação em valor, pães produzidos com fermentação natural, com características mais artesanais e com maior diversificação de uso de grãos e tipos de farináceos.

Essa tendência vem muito associada também ao resgate sobre a naturalidade e, consequentemente, temos o desdobramento de outras frentes de mercados específicos como Sem Glúten e Livre de Lactose, além da influência do mercado Europeu.

O mercado cresceu e o que era nicho ou tendência, hoje já não é, e tem uma demanda crescente constante. Além disso, há uma busca incessante do consumidor final por mais diferenciação de produtos e um melhor valor nutricional.

A questão de saudabilidade é ponto forte ao consumidor atual. Além do acordo de indústrias em relação à preocupação com a saúde, assim como OMS, cresceu a busca por mais por alimentos industrializados com menos teor em açúcar e gordura, ou sem adição de gordura trans e com maior aporte de fibras. Com isso, o mercado de panificação segue atento e vem apoiando o consumidor com essas demandas. Hoje é possível comprar um pão com bom aporte de fibras e ao mesmo tempo em proteínas, entregando sabor e indulgência.

Mariane Pinhal: Como uma indústria de ingredientes e aromas pode auxiliar os profissionais do segmento de panificação?

Kenji Hiroita Filho: Acompanhando de perto as tendências de mercado e necessidades dos órgãos que delimitam o uso de ingredientes e aromas em alimentos, sob o ponto de vista legal, de saudabilidade e ajudando os profissionais de panificação na busca desse alinhamento, com o apoio de profissionais competentes desse mercado. Essa é a maneira que a MasterSense vem atuando, com o compromisso de ser um parceiro chave de negócios para a Indústria de Alimentos.

Mariane Pinhal: Viajando do Oiapoque ao Chuí, quais as principais diferenças culturais que você encontra em relação às características de pães desejadas pelo consumidor?

Kenji Hiroita Filho: As diferenças culturais existem e são muitas. No Sul do Brasil, por exemplo, é comum as pessoas prepararem os famosos “Pães Caseiros” de forma tradicional, na mão, diferentemente quando você vai para o Sudeste, onde não se tem essa prática e o mais próximo que chega disso é o uso das famosas máquinas de fazer pão, que se tornaram alternativas.

Outra curiosidade é que algumas regiões como Norte e Nordeste, fazem mais uso de cilindros para “sovar” a massa do pão, do que a região Sudeste. Todas regiões fazem uso do cilindro em menor ou maior escala, porém o Norte e Nordeste se destacam nessa prática.

E mais uma curiosidade é sobre o nome dado ao “pão francês”, que também não tem nada a ver com o país que lhe rendeu esse nome. A baguete francesa, com miolo duro e casca grossa, que recebeu esse nome somente depois foi o “pão francês”.

Em São Paulo, capital, por exemplo, chama-se “pãozinho”, alternativamente. Em Ribeirão Preto e Piracicaba, chama-se “filão”. Na Baixada Santista, chama-se de “média”. Em Sergipe, é “pão Jacó”. Em Minas Gerais e Rio de Janeiro, é “pão de sal”. Em Manaus e Piauí, é “pão de massa grossa”. No Ceará, é “carioquinha”. No Pará, é “pão careca”. E no Rio Grande do Sul, é “cassetinho”.

Mariane Pinhal: Quais impactos causados pela Covid-19 você enxerga nesse mercado?

Kenji Hiroita Filho: Acredito que os reflexos do COVID-19 fizeram com que a população repensasse fortemente nos cuidados em relação à saúde e assim buscar produtos mais saudáveis, com mais aporte de proteínas, vitaminas e de fibras. As indústrias que estão focando nessas necessidades, além de saírem “na frente”, podem ter a certeza de que se estabelecerão como referência e que certamente serão continuadas em um cenário pós-pandemia.

Outra mudança comportamental importante é quanto aos sistemas deliveries, que são muito mais acionados atualmente, assim como a diversidade das ofertas desses serviços. As padarias, por exemplo, estão se adequando à essa nova realidade e essa praticidade também vem sendo reconhecida pela população.

Mariane Pinhal: Essa semana comemoramos o Dia Mundial do Pão. Que homenagem você deixaria para a data? 

Kenji Hiroita Filho: Nos tempos em que vivemos o maior desafio da humanidade, temos de ter muita resiliência. O pão é um alimento sagrado e também resiliente, sobrevivendo há milênios. Tenha certeza que depois de passarmos por esse momento, o sabor da conquista será inigualável.

Com sua ampla linha de ingredientes, a MasterSense oferece soluções especializadas que atendem diversos mercados da indústria alimentícia, incluindo o de panificação e confeitaria.